Empresário diz que “falta deficientes” para preencher as vagas destinadas à eles.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estima que 40% das corporações na cidade não atingem a cota mínima. Empresários alegam que ofertam as vagas, mas há ausência de mão de obra qualificada para os serviços. Para a Associação de Pessoas com Deficiência Física (Adef), há falta de incentivo, capacitação e modelos adequados de inclusão por parte do mercado.

Desde janeiro, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) anunciou a seleção de seis vagas para estabelecimentos filiados, mas apenas uma foi preenchida. Para Menores Aprendizes com deficiência, a situação se manteve, com dez vagas disponibilizadas, mas cinco contratações.

Empresas de Uberlândia têm tido dificuldades de cumprir a lei federal 8.213, que obriga estabelecimentos com mais de 100 funcionários a destinar de 2% a 5% das vagas a pessoas com deficiência.

A supervisora de talentos humanos da entidade, Renata Martins, atribui esta dificuldade, entre outros fatores, à baixa qualificação dos candidatos. “Eles também têm dificuldade de acesso aos canais de publicações das vagas, que são os meios tradicionais. Sem contar que, dependendo das funções, são apenas algumas deficiências específicas possíveis de contratar”, afirmou.

Wilston Santos, de 29 anos, que possui deficiência visual, conseguiu se aposentar por invalidez há cinco anos. Ele afirmou que tem vontade de entrar no mercado, mas, atualmente, seria arriscado tentar trabalhar e perder o benefício do INSS. “Fico pensativo. A gente tem esse medo. Muitos colegas meus, na mesma situação, também me falam sobre isso. A gente entra para trabalhar, mas não tem garantia que vai ficar. Perde o emprego e fica sem nada”, afirmou.

ADEF
Para o presidente da Adef, Simário Batista, as empresas tentam cumprir as cotas exigidas, mas não estão preparadas, tanto do ponto de vista estrutural quanto de inclusão. “Deveria haver parcerias das empresas e poder público para que houvesse a correta capacitação e acolhimento dessas pessoas”, afirmou.

Fiscalização ocorre 4 vezes por ano

Em Uberlândia, as empresas são fiscalizadas quatro vezes ao ano pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).“Quarenta por cento de descumprimento (da lei que obriga destinação de vagas a pessoas com deficiência) é uma quantidade considerável. São empresas que alegam inúmeras dificuldades em encontrar pessoas”, disse o delegado do MTE, Juracy Reis.

Conforme o delegado, em alguns casos, a fiscalização pode ser flexibilizada, com extensão de prazos para autuações, caso o empregador apresente a comprovação de ausência de mão de obra.

Ainda de acordo com Reis, a fiscalização no Município está comprometida pelo baixo número de fiscais disponíveis. “O ideal seria ter 22 auditores, mas temos só cinco. Isso é do conhecimento público e as empresas tiram vantagem”, afirmou. Atualmente, auditores de Belo Horizonte precisam se deslocar a Uberlândia para ajudar na fiscalização.

Algar tem novo modelo

Empresas da cidade têm tentado achar alternativas para reverter o problema de oferta de mão de obra de pessoas com deficiência. Em Uberlândia, o Grupo Algar, por exemplo, iniciou, há dois meses, um novo modelo de inclusão.

“A gente percebeu que só por meio da divulgação das vagas não é possível atender a demanda”, disse a diretora de Talentos Humanos do grupo, Sandra Ferreira de Mendonça Domingos.

O plano inclui uma completa adequação da estrutura de trabalho oferecida a esse perfil de profissionais, com melhorias na acessibilidade e no ambiente corporativo e aprimoramento de tecnologias. “Também definimos metas de capacitação, a fim de apoiar essas pessoas e garantir a sua longevidade. O foco é a inclusão e não cumprimento de cotas”, disse.

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Douglas Alves

Douglas é fundador da página Uberlândia Blitz no Facebook e também editor do site e redes sociais do veículo. Apaixonado por comunicação. Fã de memes e formado em zoeira.

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