Moradores de Uberlândia ampliam vigilância em bairros por conta própria

 fonte: Jornal Correio
Moradores de regiões de Uberlândia não cobertas pelo sistema de videomonitoramento da Polícia Militar (PM) ampliam a vigilância por conta própria na cidade. O caso mais recente foi no bairro Karaíba, zona sul da cidade, onde há seis ruas com a tecnologia de monitoramento, com a previsão de expansão, com a instalação de mais câmeras de segurança.CÂMERAS-1-douglas-luzz

Os moradores afirmam que não notaram aumento de criminalidade na região, mas que o serviço particular é importante como forma de prevenção e para dar mais segurança. Segundo a representante do bairro Darlene Amaral Costa, o videomonitoramento alternativo, semelhante ao projeto Olho Vivo da PM (leia mais nesta página), já havia sido implantado em uma rua do bairro há dois anos, e, por meio de reuniões, resolveram ampliar, devido a eficácia do sistema. “Nos sentimos mais seguros com essas câmeras. Hoje, nas ruas vigiadas, existem câmeras a cada 250 metros e cada morador tem acesso a uma senha para acessar essas imagens de onde estiver, por meio do celular ou computador.”

Um projeto parecido existe desde 2013 no bairro Planalto, zona oeste, onde há 38 câmeras em duas ruas. As primeiras 16 delas foram instaladas na rua do Feirante. Posteriormente, vieram as 22 da rua Yá Nasso. Ambas as ações estão ligadas ao Conselho Comunitário de segurança Pública da região da 169ª Companhia da PM, que abrange bairros da zona oeste.

O investimento e a iniciativa partiram dos moradores das localidades, que custearam os cerca de R$ 25 mil para instalação e manutenção das câmeras. “Na rua do Feirante, estava complicado, com furtos e tráfico. De lá para cá (após as câmeras), não houve mais ocorrências do tipo”, afirmou o presidente do conselho na região, José Ridel Carneiro.

Neste ano, o sistema foi ampliado e chegou às ruas do Odontólogo, no bairro Jardim das Palmeiras, com três câmeras, e mais duas na rua do Torneiro, no bairro São Lucas. Em todos os casos, são os moradores quem cuidam do monitoramento. Não existe central, mas aparelhos que gravam as imagens colocadas nas casas de alguns moradores. Os vizinhos têm acesso às imagens também via telefone celular.

Sistema da PM abrange 10 bairros

Desde que o sistema de videomonitoramento foi ampliado para outros 10 bairros de Uberlândia, em setembro de 2015, o número de furtos e roubos diminuiu nas regiões contempladas pelo serviço. De acordo com dados da Polícia Militar (PM), nos seis primeiros meses de funcionamento do sistema Olho Vivo, de setembro de 2015 a fevereiro de 2016, o número de furtos registrados nas áreas dos 10 bairros foi de 195. A quantidade foi 11,8% menor que o mesmo período do ano anterior, quando 221 furtos foram registrados, de acordo com reportagem publicada pelo CORREIO de Uberlândia em abril de 2016.

As 32 câmeras estão em funcionamento nos bairros Jardim Patrícia, Luizote de Freitas, Mansour e Planalto, na zona oeste; São Jorge, Granada, Santa Luzia, na zona sul; Santa Mônica e Segismundo Pereira, na zona leste; e Roosevelt, na zona norte. O sistema já funcionava no setor central da cidade desde 2008, com outras 72 câmeras.

Polícia considera recurso benéfico

De acordo com o assessor de imprensa da 9ª Região de Polícia Militar (9ª RPM), major Julio Cesar Cerizze Cerazo de Oliveira, o videomonitoramento alternativo, feito de forma particular pelos moradores de Uberlândia, é benéfico e auxilia na ação da polícia.

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“Com esse trabalho em conjunto com a sociedade, a gente consegue ser mais efetivo na captura de criminosos e, consequentemente, leva mais segurança para a vizinhança”, afirmou Oliveira.
O comandante da 169ª Cia da PM, Thiago Lana, disse que a atitude mostra comprometimento da população. “A polícia não pode sozinha levantar recursos para uma ação dessa, mas somos parceiros na vigilância. Estamos em contato direto com os moradores por meio da Rede de Vizinhos Protegidos”, disse.

Prefeitura

A Prefeitura de Uberlândia informou que as câmeras de segurança devem ser instaladas apenas nos limites dos imóveis.

O monitoramento com a instalação de postes para colocação de câmeras ou sobre o espaço aéreo da via pública é irregular, segundo o Código de Posturas do Município.

Comerciante tem ajuda de vizinho

O mestre de obras Guilherme Alvim teve a casa furtada, no bairro Luizote de Freitas, zona oeste de Uberlândia, no fim de 2015, e a câmera na porta de um comércio vizinho ajudou a identificar os ladrões. Ele, então, resolveu colocar câmeras em sua casa, o que também beneficiou Diego Leonel, o dono do empório vizinho.

“As duas câmeras monitoram pontos cegos da minha casa e do mercadinho”, afirmou Alvim. “Cada um paga sua manutenção, mas a ajuda é mútua”, disse
Leonel.

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