Salas de Emeis serão fechadas por falta de alunos em Uberlândia.

Servidores temem superlotação e remanejamento dos profissionais. Prefeitura justifica que medida é para não onerar tanto ao Município.

Emei Maria Pacheco em Uberlândia (Foto: Prefeitura de Uberlândia/Divulgação)
Anexo da Emei Maria Pacheco será fechado pela manhã  (Foto: Prefeitura de Uberlândia/Divulgação)

Servidores da rede municipal de ensino de Uberlândia estão preocupados com o fechamento de salas de aula em algumas Escolas Municipais de Ensino Infantil (Emeis). De acordo com a categoria, uma equipe da Secretaria Municipal de Educação (SME) tem feito a metragem das salas e sinalizado que, no início do segundo semestre, algumas turmas serão remanejadas, bem como os profissionais.

O coordenador de Inspeção Escolar, Marcos Antônio Lima Pereira, confirmou a informação e justificou que a medida é adotada por conta da ausência de crianças e como uma forma de não onerar tanto ao Município. “Temos salas com seis ou oito alunos frequentes apenas. Não é viável mantê-las dessa forma, então estamos remanejando as crianças para outras turmas, uma vez que as salas têm capacidade para até 28 crianças, dependendo da faixa etária”.

O maior gargalo da rede está em vagas para crianças de 0 a 3 anos, cuja lista de espera conta com cerca de 6 mil nomes. O que acontece, segundo o coordenador, é que os pais geralmente têm preferência pelo período da tarde ou integral ficando ociosas as vagas da manhã. Ele disse que a Secretaria sempre entra em contato com quem está à espera de vaga, mas a maioria opta pelos outros períodos e, quem faz a matrícula, faz apenas para tentar segurar a vaga na rede de ensino e não leva os filhos.

Temos salas com seis ou oito alunos frequentes apenas. Não é viável mantê-las dessa forma, então estamos remanejando as crianças para outras turmas”.
Marcos Antônio, coord. de Inspeção Escolar

O monitoramento nas escolas já está sendo feito há algumas semanas com medição de salas e estudos técnicos para comprovar a viabilidade das alterações. Até o momento está confirmado o fechamento das turmas do anexo da Emei Maria Pacheco Rezende, no Santa Mônica, apenas no período matutino, e outras no setor oeste como no Bairro Luizote de Freitas.

Uma das grandes preocupações dos servidores da Educação é quanto ao superlotamento das salas, o que, consequentemente, iria impactar na qualidade do ensino. Outra questão são os remanejamentos de professores e educadores para outras turmas e unidades, sem um planejamento prévio.

Insatisfações
O G1 conversou com algumas servidoras que não quiseram se identificar, mas expuseram a situação. Duas delas trabalham na Emei Maria Pacheco e relataram que a capacidade do anexo é para 102 crianças e atualmente há 30 de quatro a cinco anos. Com o fechamento, os professores também deverão ser remanejados.

“A Prefeitura avisou que a partir de agosto o anexo da Emei não irá funcionar mais pela manhã e os profissionais excedidos serão lotados em outras unidades escolares de acordo com a necessidade deles, ou seja, não importa para aonde nós iremos, o importante é o que convém para a Prefeitura. É muito triste você trabalhar sem saber onde poderá estar amanhã ou depois. Estamos angustiados”, desabafou uma professora.

É muito triste você trabalhar sem saber onde poderá estar amanhã ou depois. Estamos angustiados”.
Professora, anexo Emei Maria Pacheco

Ela ainda questionou sobre colocar as crianças do anexo na sede para que se abra novas vagas para as crianças menores. Mas sobre isso, o coordenador Marcos informou que o problema é que não há vagas para o período integral e não haveria turmas o suficiente para suprir a demanda. Em relação à transferência de profissionais, informou que a análise é de responsabilidade do Departamento Pessoal, que está verificando caso a caso para não gerar muitos transtornos aos servidores. Porém, não disse sobre possíveis exonerações e redução dos cargos em caso de servidores temporários.

Uma terceira servidora comentou que no setor oeste algumas turmas já foram lotadas com as mudanças, desconsiderando as crianças com necessidades especiais, e os profissionais remanejados para outra Emei contra a vontade deles.

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Douglas Alves

Douglas é fundador da página Uberlândia Blitz no Facebook e também editor do site e redes sociais do veículo. Apaixonado por comunicação. Fã de memes e formado em zoeira.

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