A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil

O que os filmes Um Sonho Possível, A Negação do Brasil, Django Livre, Histórias Cruzadas, 12 Anos de escravidão, Seven Seconds (netflix) e o mais recente Green Book: O Guia tem em comum? Se você acha que as únicas coincidências é que se tratam de grandes produções hollywoodianas e que foram indicados ao Oscar você está totalmente errado. Os filmes abordam direitos civis, o preconceito e a representação dos negros nos Estados Unidos e no Brasil. Os filmes tratam de racismo.

Parece irônico ou tendencioso falar sobre tal assunto. Não por parte de quem lhes escreve, mas pelo simples fato de estarmos ainda inseridos numa era tão preconceituosa. Mesmo depois de 130 anos da assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel ainda se vê o caos e a intolerância se espalharem nas ruas e redes sociais. Vemos sangue escorrer, vamos lágrimas dilacerarem corpos. E infelizmente, parece que essa “rotina” tende a permanecer. Porque? Por quanto tempo? E as leis?

De um lado questionamentos e d’outro leis regidas há décadas que parecem sempre beneficiar os culpados.

Segundo a ONU “A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. São 63 mortes por dia, que totalizam 23 mil vidas negras perdidas pela violência letal por ano, conforme destacado pela campanha Vidas Negras, lançada pelas Nações Unidas no país em novembro de 2017.” […] “Vinte e três mil assassinatos de jovens por ano é um escândalo. A sociedade brasileira, os governos e cada um de nós temos de fazer a nossa parte. (A campanha) Vidas Negras fala do reconhecimento da importância dos jovens negros. Chama à responsabilidade social e política de fazer algo já” Nadine Gasman, representante da ONU.

Na última quinta (14) Pedro Gonzaga, de 19 anos foi imobilizado e estrangulado por um segurança da rede de supermercados Extra. O segurança que já foi indiciado responderá pelo crime em liberdade.  Segundo relato das testemunhas, houveram vários pedidos pra que o segurança saísse de cima de Pedro, e mesmo permaneceu.

O caso causou comoção das redes sociais, lembrando várias ouras situações “similares”. “Essas cenas constantes desse país colonial precisam acabar”, disse Djamila Ribeiro, autora do best-seller nacional “Quem tem medo do feminismo negro?”

Esse não é o único caso, vários outros vivem acontecendo pelo país, porém não vem à tona. Como esquecer da participante do BBB19 Paula Sperling e seus comentários racistas enrustidos? E o da ex-diretora da Vogue Brasil com sua festa temática da escravidão? O garoto de 8 anos que foi expulso da loja ANIMALE? E a chacina no morro do Fallet-Fogueteiro? A morte da menina Jennifer, de 11 anos voltando pra casa?

O racismo mata, não só pela polícia. O racismo estrutural, que é a violência direta dos estados as pessoas negras com agressões verbais ou físicas está intrínseca a sociedade. Ocorre uma filtragem racial expondo os negros a um cotidiano violento e desumano. E ainda por cima, os governantes como Sergio Moro permite maior liberdade para os policiais cometerem crimes nos morros, flexibilizando a impunidade prevendo “legítima defesa” sob “medo, à surpresa e à violenta emoção”.

Adianta ir ao cinema assistir um filme como “Green Book” dizer-se emocionado ou maratonar uma série no Netflix, como “Seven Seconds” e indicar aos amigos se nas suas redes sociais você se demonstra racista? Olhe para o lado, veja o tanto de médicos negros atendendo em hospitais, veja o tanto de negros ocupando as cadeiras nas universidades ou ao seu lado no trabalho. Não adianta você promover um discurso “fofo” se você aplaude agressões, como a atriz Taís Araújo ou esperneou internamente quando descobriu que a Maju Coutinho iria estrear a bancada do maior jornal do país.

Anos se passaram, e o fosso permanece aberto. A cor da desigualdade está impregnada na saúde, na cultura, na politica, na educação e em toda a sociedade. Parem de matar.

A Equipe do Uberlândia Blitz deixa claro que sempre irá se posicionar contra a descriminação, seja por racismo, homofobia, facismo, intolerância, social e qualquer outro tipo de preconceito. 

** Todas as obras aqui citadas são deixadas como indicação para você que se interessa pelo assunto, assim como o livro “O que é racismo estrutural? ” Do Silvio Almeida. As fotos utilizadas nessa matéria são do Matheus Frigols / Projeto Senti na Pele. 

 

Nos siga nas redes sociais:

INSTAGRAM: Lineker Campos: @linekermcampos

INSTAGRAM: @uberlandiablitz

YOUTUBE: canal uberlandia blitz

Comments

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezoito − onze =